Gengivite: o que é, como reconhecer e por que ela não pode esperar

A gengivite é a inflamação da gengiva provocada pelo acúmulo de biofilme bacteriano — a placa — na faixa estreita onde o dente encontra a gengiva. É a doença de gengiva mais comum que existe, e o sinal de alerta costuma ser simples e discreto: a gengiva sangra quando você escova ou passa o fio dental.

A parte boa cabe em uma frase. A gengivite é reversível: quando o biofilme é removido e a higiene é ajustada, o tecido volta ao estado saudável, sem sequela. O problema é o que acontece quando ela é ignorada por tempo demais. A inflamação pode avançar para a periodontite, que atinge o osso que sustenta o dente — e osso perdido não volta. Entender onde termina uma e começa a outra é a parte mais útil deste guia.

A sua gengiva sangra há semanas e você quer saber como isso é avaliado na consulta?

Veja a página sobre tratamento de gengiva, com as etapas do exame e do acompanhamento.

O que é gengivite, em termos simples

Gengivite é a resposta inflamatória da gengiva à presença prolongada de bactérias na sua margem. Não é infecção que veio de fora, nem contágio. É o seu próprio organismo reagindo a um acúmulo que ficou tempo demais no mesmo lugar.

A gengiva é um tecido vivo, irrigado por vasos muito finos. Quando o biofilme se organiza junto ao colo do dente, os produtos liberados pelas bactérias irritam esse tecido. O corpo responde mandando mais sangue para a região, e é isso que muda a aparência da gengiva: ela incha um pouco, fica mais vermelha, perde o aspecto firme e passa a se romper com facilidade ao menor toque.

O que está acontecendo por baixo

O detalhe importante é que, na gengivite, a inflamação fica restrita à gengiva. Ela não passou da linha. O osso que segura o dente e as fibras que prendem a raiz continuam intactos.

É por isso que a gengivite reverte. O tecido gengival se repara bem quando o estímulo que o irritava desaparece: retirado o biofilme, a gengiva desinflama, volta à cor e à firmeza originais e para de sangrar, sem cicatriz nem prejuízo permanente.

Como é uma gengiva saudável

Vale saber com o que comparar, porque muita gente convive com gengivite há anos achando que aquilo é o normal dela.

CaracterísticaGengiva saudávelGengiva com gengivite
CorRosa claro, uniformeVermelha ou arroxeada, sobretudo na margem
TexturaFirme, com aspecto de casca de laranjaLisa, brilhante, mais mole
ContornoFino, acompanha o dente como uma facaInchado, arredondado, avança sobre o dente
SangramentoNão sangra ao escovar nem ao usar fioSangra ao escovar, ao usar fio, às vezes sozinha
SensibilidadeNenhumaDesconforto leve, coceira, sensação de latejamento
HálitoSem odor persistenteMau hálito que volta pouco depois da escovação

Se a sua gengiva está na coluna da direita, há inflamação ativa. Isso não é fatalidade, e o quadro tem tratamento.

ilustração comparativa em corte lateral mostrando gengiva saudável de um lado e gengiva inflamada do outro, com destaque para a margem gengival e o acúmulo de biofilme, sem identificação de paciente

Sangramento ao escovar: o sinal que quase todo mundo ignora

Este é o ponto que mais custa caro. A gengiva que sangra na escovação é o sinal mais precoce e mais confiável de inflamação — e é justamente o que a maioria das pessoas explica de outro jeito.

As justificativas mais comuns aparecem sempre nas mesmas palavras: “escovei com força demais”, “a escova é dura”, “foi o fio dental que machucou”, “me cortei sem querer”. São explicações razoáveis para quem não conhece o mecanismo. E, na grande maioria dos casos, estão erradas.

Por que a escova não é a culpada

Uma gengiva saudável não sangra em escovação de rotina. Ela é um tecido resistente, feito para lidar com atrito de comida, escova e fio dental todos os dias. Ela pode ficar levemente sensível diante de uma escovação agressiva, mas não sangra por isso.

O que sangra é a gengiva já inflamada. Os vasos dela estão dilatados, o tecido está frágil e a barreira que o protege está enfraquecida. Nessa condição, o toque da escova não causa o problema — apenas revela um problema que já existia. É a diferença entre bater no vidro e bater num vidro que já estava trincado.

Há uma armadilha aí. Como o sangramento assusta, muita gente decide poupar a região e “deixar a gengiva descansar”. O resultado é o oposto: menos limpeza, mais biofilme, mais inflamação, mais sangue. O caminho para parar de sangrar passa por limpar aquela região corretamente, não por abandoná-la.

Os outros sinais que costumam vir junto

O sangramento raramente vem sozinho. Vale conferir a lista abaixo, porque vários desses sinais são tão discretos que passam despercebidos.

SinalComo costuma aparecerO que costuma ser confundido com
Sangramento na escovaçãoFio de sangue na espuma, gosto metálicoEscova dura, força excessiva
Sangue no fio dentalFio sai rosado em pontos específicosCorte pelo fio
Gengiva vermelha na margemLinha mais escura junto ao denteCor natural da pessoa
Inchaço discretoGengiva parece cobrir mais o denteFormato dos dentes
Mau hálito recorrenteVolta logo depois de escovarEstômago, alimentação
Coceira ou latejamentoVontade de pressionar a gengivaEstresse, cansaço
Gengiva sensível ao morderIncômodo em alimentos durosSensibilidade do dente

Um detalhe que costuma enganar: nem sempre a gengivite dói. Na maior parte dos casos ela é silenciosa, e o desconforto é leve o bastante para ser tolerado por anos. Ausência de dor não é sinal de saúde da gengiva.

O que causa a gengivite: o biofilme, não o descuido isolado

A causa direta é uma só: o biofilme dental, popularmente chamado de placa bacteriana. Todo o resto — fumo, diabetes, gravidez, medicamentos — muda a intensidade da resposta, mas não substitui essa causa.

Biofilme não é sujeira acumulada. É uma comunidade organizada de bactérias que se adere à superfície do dente e se protege dentro de uma matriz que ela mesma produz. Essa estrutura é pegajosa, invisível quando fina, e cresce em camadas. Quanto mais tempo permanece intocada, mais madura e mais agressiva à gengiva ela se torna.

Por que o biofilme volta em poucas horas

Porque ele é um processo contínuo, não um evento. Poucos minutos depois da escovação, uma película de proteínas da saliva já recobre o dente. As primeiras bactérias se fixam nessa película em questão de horas, e a colônia vai se organizando ao longo do dia.

É por isso que a higiene precisa ser rotina diária, e não faxina esporádica. Ficar uma semana escovando com rigor e depois relaxar por duas não produz gengiva saudável — o biofilme só precisa de alguns dias sem interrupção para desencadear inflamação na margem gengival.

Quando o biofilme vira tártaro

Aqui o problema muda de patamar. O biofilme que permanece no lugar acaba mineralizado pelos sais presentes na saliva e endurece, formando o tártaro — também chamado de cálculo dental.

O tártaro tem duas consequências práticas. A primeira: ele não sai com escova, fio, enxaguante ou qualquer manobra caseira. Está aderido ao dente e só é removido com instrumentos em consultório. A segunda, e mais importante: a superfície dele é áspera e porosa, o que funciona como abrigo ideal para mais biofilme se instalar. O tártaro não irrita a gengiva por si mesmo — ele mantém a irritação permanentemente ativa.

Esse é o ciclo que faz a gengivite virar crônica: biofilme irrita, vira tártaro, tártaro retém mais biofilme, a gengiva nunca tem chance de desinflamar. Se quiser entender essa etapa em detalhe, há um guia dedicado ao tártaro nos dentes.

ilustração em sequência mostrando as fases do acúmulo de biofilme na margem da gengiva até a formação de tártaro endurecido no colo do dente

Por que a gengivite acontece mesmo em quem escova todo dia

Esta é a dúvida mais frequente do consultório, e a resposta desmonta um mal-entendido antigo: escovar todo dia e limpar bem os dentes não são a mesma coisa. A gengivite não é castigo para quem não escova. Ela aparece com frequência em pessoas com rotina de higiene consistente.

O motivo é geográfico. A escova limpa muito bem as superfícies amplas e visíveis — a face de fora, a de dentro e a de mastigação. O biofilme que causa gengivite se instala principalmente em dois lugares onde a escova mal chega: entre um dente e outro e na linha exata onde a gengiva encosta no dente.

Os pontos cegos da escovação

RegiãoPor que escapaO que alcança de fato
Entre os dentesAs cerdas não entram no espaço de contatoFio dental, fita, escova interdental
Margem da gengivaEscovação horizontal passa por cima da linhaEscova inclinada a 45 graus, cerdas macias
Face de trás dos últimos molaresDifícil de acessar e de enxergarEscova posicionada de lado, escova unitufo
Ao redor de aparelho fixoBráquetes e fios retêm biofilmeEscova interdental, passa-fio
Bordas de restaurações e coroasDegraus retêm biofilme na margemFio dental, avaliação do ajuste da peça
Dentes apinhados ou giradosSobreposição cria áreas escondidasEscova interdental, avaliação ortodôntica

Repare no padrão: quase todos os pontos cegos são resolvidos por limpeza entre os dentes, não por mais tempo de escova.

Técnica pesa mais que força

Escovar com vigor não compensa escovar no lugar errado. Pressão excessiva com cerdas duras pode desgastar o esmalte no colo do dente e contribuir para retração gengival, sem melhorar a limpeza da margem.

O que funciona é o inverso: cerdas macias, escova inclinada em direção à gengiva, movimentos curtos e atenção à linha onde dente e gengiva se encontram. Um ajuste pequeno de ângulo, com efeito grande. Vale pedir a demonstração na consulta.

O fio dental não é opcional

Se a gengiva sangra entre os dentes, é ali que o biofilme está. Nenhuma escova, elétrica ou manual, limpa a superfície de contato entre dois dentes vizinhos.

Quem tem espaços maiores, aparelho ortodôntico, implantes ou próteses costuma se beneficiar de escovas interdentais. Qual dispositivo serve para a sua boca depende do formato dos seus dentes e da sua gengiva, e isso se define em avaliação.

Fatores que agravam a inflamação da gengiva

Nenhum dos fatores abaixo causa gengivite sozinho. Todos, porém, mudam a forma como a gengiva responde ao biofilme — em geral fazendo com que menos placa produza mais inflamação, ou que a inflamação demore mais para ceder.

FatorO que a literatura descreveConsequência prática
TabagismoPrejudica a irrigação e a resposta de defesa da gengivaMenos sangramento visível, quadro mais avançado que aparenta
Diabetes descompensadoRelação de mão dupla entre glicemia e inflamação gengivalInflamação mais intensa e resposta mais lenta ao tratamento
GravidezAlterações hormonais exageram a resposta da gengiva ao biofilmeGengiva sangra mais com a mesma quantidade de placa
Alguns medicamentosCertas classes estão associadas a aumento do volume gengivalGengiva cresce sobre o dente e retém mais biofilme
Respiração bucalRessecamento da mucosa, sobretudo na região anteriorGengiva irritada e mais sujeita à inflamação crônica
Boca secaMenos saliva para lavar e tamponar a superfície dentalBiofilme se acumula com mais facilidade
EstresseInterfere na resposta imunológica e na rotina de higienePiora indireta, mas consistente

Tabagismo: o fator que esconde o problema

O cigarro tem um efeito perverso nesse quadro. A nicotina reduz o calibre dos vasos da gengiva, e o tecido sangra menos. Isso soa como boa notícia e é o contrário disso.

O sangramento é o principal sinal de alerta que a gengiva tem para oferecer. Quando ele é suprimido, a pessoa perde o aviso e a doença avança de forma silenciosa. Não é raro que quem fuma chegue à consulta com um quadro já periodontal, sem nunca ter visto sangue na escova.

Diabetes: mão dupla

A relação funciona nos dois sentidos, e é bem descrita na literatura. Glicemia mal controlada tende a intensificar a inflamação gengival e a retardar a resposta ao tratamento; na direção contrária, inflamação periodontal ativa pode dificultar o controle glicêmico. Na prática, quem tem diabetes costuma se beneficiar de retornos mais próximos, em intervalo definido caso a caso.

Gravidez: a chamada gengivite gravídica

É comum e tem nome próprio. As alterações hormonais da gestação amplificam a resposta inflamatória da gengiva ao mesmo biofilme que antes causava pouca reação. A gengiva incha e sangra com mais facilidade, especialmente entre o segundo e o oitavo mês.

Duas coisas importam aqui. A primeira: não é motivo para suspender a higiene — a limpeza cuidadosa é o que mantém o quadro sob controle. A segunda: cuidado odontológico durante a gestação não só é possível como recomendado, e o planejamento do que fazer em cada trimestre é feito na avaliação, em conjunto com o acompanhamento pré-natal.

Medicamentos e respiração bucal

Algumas classes de medicamentos de uso contínuo estão associadas ao aumento de volume da gengiva, condição em que o tecido cresce e passa a cobrir parte do dente. O tecido aumentado dificulta a higiene e retém mais biofilme, fechando o ciclo.

Nada disso significa interromper tratamento por conta própria — a decisão sobre qualquer medicamento é do profissional que o prescreveu. O que muda no lado odontológico é a frequência do acompanhamento.

Já a respiração bucal, comum em quem tem obstrução nasal ou dorme de boca aberta, resseca a mucosa e a gengiva da região da frente. O tecido ressecado fica mais irritável e mais propenso à inflamação persistente. Nesses casos, a avaliação costuma envolver também a causa da obstrução.

O que acontece se a gengivite não for tratada

Não existe prazo fixo, e nem toda gengivite evolui. Parte das pessoas convive anos com inflamação leve sem progressão. Em outras, a inflamação atravessa a barreira e atinge as estruturas que sustentam o dente — e é aí que o quadro deixa de ser reversível.

O que determina esse caminho é a combinação entre quantidade e maturidade do biofilme, tipo de bactéria predominante, resposta imunológica individual e presença dos fatores agravantes descritos acima. Como não dá para saber de antemão em qual grupo você está, tratar cedo é a decisão que faz sentido em qualquer cenário.

A sequência habitual

FaseO que aconteceReverte?
Gengiva saudávelSem inflamação, sem sangramento
Gengivite inicialMargem vermelha, sangra ao usar fioSim, com remoção do biofilme
Gengivite estabelecidaInchaço, sangramento fácil, mau hálitoSim, com limpeza profissional e higiene ajustada
Periodontite inicialPerda de inserção e de osso, formação de bolsaNão. Progressão pode ser interrompida, o osso perdido não volta
Periodontite avançadaBolsas profundas, retração, mobilidade dentalNão. Tratamento visa estabilizar e preservar o que restou

A linha que separa a terceira da quarta fase é a mais importante de toda esta página. Antes dela, o problema é de tecido mole e se resolve. Depois dela, há perda óssea, e o objetivo do tratamento muda de reverter para estabilizar.

ilustração da progressão em quatro estágios, de gengiva saudável a periodontite, mostrando a redução do nível ósseo ao redor da raiz do dente

Gengivite e periodontite: a diferença que decide tudo

As duas fazem parte da mesma família de doenças e têm a mesma causa inicial. A diferença está em até onde a inflamação chegou — e essa fronteira define se o quadro volta atrás ou não.

Na gengivite, apenas a gengiva está inflamada. Na periodontite, a inflamação já destruiu parte das fibras que prendem o dente e parte do osso ao redor da raiz. Com o osso mais baixo, forma-se um espaço mais profundo entre gengiva e dente, chamado de bolsa periodontal — um ambiente que a escova não alcança e onde o biofilme prospera protegido.

AspectoGengivitePeriodontite
Tecido atingidoSomente a gengivaGengiva, fibras de inserção e osso
Perda ósseaNão háHá, e é permanente
Bolsa periodontalAusente ou mínimaPresente, aprofunda com a progressão
ReversívelSimNão. É controlável, não reversível
Mobilidade do denteNãoPode ocorrer em fases mais avançadas
Retração da gengivaIncomumFrequente, com exposição de raiz
Objetivo do tratamentoDevolver a gengiva ao estado saudávelInterromper a progressão e preservar o que existe
AcompanhamentoRetornos de rotinaManutenção periódica por tempo indeterminado

Por que o osso perdido não volta

Porque o osso alveolar reabsorvido não se regenera espontaneamente quando a inflamação cede. Controlar a doença impede que a perda continue, e isso é muito. Mas o nível ósseo que já foi embora permanece onde está.

Existem procedimentos regenerativos aplicáveis a defeitos ósseos de determinados formatos, em casos selecionados. Não são universais, não se aplicam a qualquer perda e não devolvem a arquitetura original de forma previsível. Qualquer texto que prometa recuperação óssea garantida está indo além do que a literatura sustenta.

É essa assimetria que torna a gengivite tão relevante. Ela é o último estágio em que dá para voltar ao ponto de partida. Se quiser aprofundar o estágio seguinte, o cluster tem um guia completo sobre periodontite, com estágios, sintomas e o que muda no tratamento.

Como se trata: remover o biofilme é o que resolve

O tratamento tem duas frentes que só funcionam juntas: a remoção profissional do que já se acumulou e a mudança na rotina diária que impede o acúmulo de voltar. Uma sem a outra não sustenta o resultado.

Na consulta, o primeiro passo é o exame: avaliação da gengiva, sondagem para medir a profundidade do sulco em volta de cada dente e, quando indicado, radiografias para verificar o nível do osso. É essa medição que separa gengivite de periodontite — não a aparência isolada da gengiva.

A limpeza profissional

Nos quadros restritos à gengiva, o procedimento é a remoção do biofilme e do tártaro depositados acima da margem gengival, seguida de polimento das superfícies. É o que se conhece como profilaxia, e a página sobre limpeza e profilaxia descreve como isso é feito.

Quando já há depósito abaixo da gengiva, ou bolsa formada, entra a raspagem periodontal — um procedimento mais detalhado, feito por regiões, com o objetivo de descontaminar a superfície da raiz. Os detalhes de como isso funciona estão no guia sobre raspagem dentária e na página de raspagem periodontal.

O que muda em casa

A parte que depende de você é a que mantém o resultado. Escovação com técnica correta na margem da gengiva, limpeza entre os dentes todos os dias e retornos no intervalo combinado.

Parece pouco e é o que decide o desfecho. A limpeza profissional zera o acúmulo; a rotina diária é o que impede o biofilme de se reorganizar. Sem essa segunda parte, o quadro volta ao mesmo ponto em poucos meses.

Remédios, pomadas e enxaguantes: o que eles fazem e o que não fazem

Vale dizer isso com todas as letras: nenhum medicamento substitui a remoção mecânica do biofilme. Não existe comprimido, pomada, gel ou enxaguante que dissolva placa aderida ou que remova tártaro. Enquanto o depósito permanecer sobre o dente, a inflamação tem de onde se alimentar.

O que a literatura descreve são recursos coadjuvantes, usados em situações específicas e por período determinado, sempre ao lado do tratamento — nunca no lugar dele:

  • Antissépticos bucais de uso odontológico — descritos como auxiliares no controle químico do biofilme em fases específicas, geralmente por tempo limitado. Uso prolongado sem indicação tem efeitos indesejados descritos.
  • Anti-inflamatórios e analgésicos — atuam sobre o sintoma quando há dor, e não sobre a causa. Não interrompem o processo inflamatório provocado pelo biofilme.
  • Antimicrobianos sistêmicos — reservados a quadros particulares, definidos por critério clínico. Não fazem parte do manejo da gengivite comum.
  • Géis e pomadas de aplicação local — podem trazer alívio momentâneo do desconforto, sem eliminar o depósito que causa a inflamação.

Se você já usou algum desses produtos e o sangramento voltou assim que parou, o motivo é esse: o agente que causa o problema continuava no lugar. Qualquer indicação de medicamento depende de avaliação clínica individual. Este texto não prescreve nada.

bancada de consultório odontológico com instrumentos de raspagem periodontal organizados e espelho clínico, foco nos instrumentos, sem pessoas

Em quanto tempo a gengiva melhora

Quando a causa é removida, a resposta costuma ser rápida. Boa parte das pessoas percebe redução do sangramento na primeira semana após a limpeza profissional, desde que a higiene diária tenha sido ajustada de fato.

A normalização completa da cor, do contorno e da firmeza leva mais tempo — algumas semanas, em quadros iniciais. Tártaro extenso, tabagismo e diabetes descompensado tendem a alongar esse prazo.

Um alerta útil sobre o começo: nos primeiros dias após retomar o fio dental em uma região inflamada, o sangramento pode aumentar antes de diminuir. Não é sinal de piora. É a gengiva inflamada reagindo ao contato enquanto o tecido ainda não desinflamou. A tendência é reduzir progressivamente conforme a limpeza se mantém.

Se o sangramento persistir depois de duas a três semanas de higiene correta, vale voltar à avaliação. Pode haver tártaro sob a gengiva, uma restauração mal adaptada retendo biofilme, ou um quadro que já não é apenas gengivite. Essa distinção está detalhada no guia sobre gengivite tem cura.

Perguntas frequentes sobre gengivite

Gengivite tem cura?

Sim. A gengivite é reversível: com a remoção do biofilme e do tártaro e o ajuste da higiene diária, a gengiva volta ao estado saudável sem sequela. O que não reverte é a periodontite, porque nela já houve perda de osso. Manter o resultado depende da rotina de higiene e dos retornos.

Sangramento na gengiva é sempre gengivite?

Na grande maioria dos casos, sim — a causa mais comum é inflamação por biofilme. Existem outras situações que contribuem, como alterações hormonais, uso de anticoagulantes e alterações sanguíneas. Mesmo nesses casos o biofilme costuma estar presente. A distinção é feita em avaliação clínica.

Escovar com mais força faz o sangramento parar?

Não, e pode piorar outras coisas. Pressão excessiva com cerdas duras desgasta o colo do dente e contribui para retração da gengiva, sem melhorar a limpeza da margem. O que resolve é ângulo correto, cerdas macias e limpeza entre os dentes todos os dias.

Devo parar de escovar onde está sangrando?

Não. É a reação mais comum e a que mais atrapalha. Deixar de limpar a região aumenta o acúmulo de biofilme e mantém a inflamação ativa. O caminho é limpar aquela área com técnica adequada e cerdas macias — o sangramento tende a diminuir conforme o tecido desinflama.

Quanto tempo leva para a gengivite melhorar?

Muita gente nota queda do sangramento já na primeira semana após a limpeza profissional, com higiene diária ajustada. A normalização completa da cor e da firmeza costuma levar algumas semanas. Tabagismo e diabetes descompensado tendem a alongar esse prazo.

Gengivite dói?

Frequentemente não. Ela costuma ser silenciosa, com desconforto leve ou nenhum, o que explica por que tanta gente convive anos com o quadro. Ausência de dor não indica saúde da gengiva. O sangramento ao escovar é um sinal mais confiável do que a dor.

Enxaguante bucal cura gengivite?

Não. Enxaguantes não removem biofilme aderido nem tártaro. A literatura descreve alguns antissépticos como coadjuvantes em situações específicas e por período determinado, sempre ao lado da limpeza — nunca no lugar dela. A indicação, quando existe, depende de avaliação individual.

Pomada resolve gengiva inflamada?

Pode trazer alívio momentâneo do desconforto, mas não elimina a causa. Enquanto o biofilme e o tártaro permanecerem sobre o dente, a inflamação continua. Por isso o sintoma costuma voltar assim que o uso é interrompido. Nenhum produto tópico substitui a remoção do depósito.

Gengivite causa mau hálito?

Pode causar. As bactérias do biofilme produzem compostos de enxofre com odor característico, e o mau hálito tende a voltar pouco depois da escovação. Quando esse é o padrão, a origem costuma estar na boca, e a inflamação da gengiva é uma das causas a investigar.

Toda gengivite vira periodontite?

Não. Parte das pessoas convive com inflamação leve por anos sem progressão. Em outras a doença avança, e isso depende do tipo de biofilme, da resposta imunológica individual e de fatores como fumo e diabetes. Como não dá para prever o grupo, tratar cedo é a escolha segura.

Gengivite na gravidez é normal?

É frequente e tem nome próprio — gengivite gravídica. As alterações hormonais amplificam a resposta da gengiva ao mesmo biofilme de antes, e o sangramento aumenta, sobretudo entre o segundo e o oitavo mês. Manter a higiene e o acompanhamento odontológico durante a gestação é recomendado.

Dá para tratar gengivite só em casa?

Quando não há tártaro, o ajuste da higiene pode resolver quadros iniciais. O problema é que tártaro não sai com escova, fio ou enxaguante, e só um exame identifica se ele está lá — inclusive abaixo da gengiva. Tentar raspar em casa machuca o tecido e não remove o depósito.

Quando procurar avaliação para gengivite

Se a sua gengiva sangra ao escovar ou ao passar o fio, há inflamação ativa agora. Isso vale mesmo que não doa, mesmo que aconteça em um só ponto, e mesmo que você escove todos os dias — porque nenhuma dessas condições afasta o diagnóstico.

A avaliação existe justamente para responder o que este texto não pode: se há tártaro sob a gengiva, se o osso está preservado, se o quadro ainda é gengivite ou já ultrapassou a linha. Isso se define com exame clínico, sondagem e, quando indicado, radiografia. E é uma resposta que muda o plano inteiro, porque ainda estar do lado reversível é uma vantagem que se perde com o tempo.

Para entender como o acompanhamento de gengiva é conduzido, veja a página de periodontia. Em casos de retração já instalada, há também a página sobre enxerto gengival.

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Este conteúdo tem finalidade informativa e educativa e não substitui a consulta com cirurgião-dentista. A indicação de qualquer tratamento, bem como a prescrição de qualquer medicamento, depende de avaliação clínica individual.

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